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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Cooperativismo como capital social


O cooperativismo faz parte da essência humana, no seu modo de ser, de viver e de agir diante das necessidades vitais. Através da história dos povos, os homens, que são seres eminentemente gregários, sentiram a necessidade da cooperação para melhor poderem assegurar a sua sobrevivência, prover a sua prosperidade e conquistar seus objetivos.

O cooperativismo moderno nasceu com a Revolução Industrial no século XIX a partir das necessidades dos povos mais pobres que migraram do campo para a cidade e começaram a enfrentaram extensas jornadas de trabalho em condições insalubres, onde mulheres e crianças se transformaram em mão de obra barata. Neste cenário começaram a surgir organizações dos trabalhadores como sindicatos, cooperativas de ajuda mútua, associações de operários e outras formas de arranjo a fim de reivindicar uma mudança social, política e econômica.

Assim, da necessidade e do desejo da classe trabalhadora de superar a miséria pelos seus próprios meios, através da ajuda mútua, começaram a surgir às cooperativas. Embasadas em ideais utópicos da corrente liberal socialista, filósofos ingleses e franceses fundaram os princípios e políticas de ação das cooperativas modernas, são elas: a idéia de associação e ênfase na união em atividades sociais e econômicas; a cooperação como força de ação emancipadora dos trabalhadores; a organização por iniciativa própria, onde o controle a administração devem ser democráticos e se auto-gerir.

Desde então as cooperativas se expandiram por todo o mundo, são milhares delas nas mais diversas áreas de atuação consolidando-se como uma das formas avançadas de organização da sociedade civil. Proporciona o desenvolvimento socioeconômico aos seus integrantes e à comunidade; resgata a cidadania através da participação, do exercício da democracia, da liberdade e autonomia, no processo de organização da economia e do trabalho.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

O Povo Brasileiro



Este trabalho pretende fazer um apanhado dos conceitos contidos na obra literária “O Povo Brasileiro” de Darcy Ribeiro e através da série homônima documental, retratar as matrizes de formação cultural dos brasileiros, seus encontros e desencontros, seu sincretismo e sua unidade.

“O mais importante é inventar o Brasil que nós queremos”, Darcy Ribeiro.


1. Matriz Tupi

Nascemos de uma humanidade indígena, que existia à pelo menos 10 mil anos antes dos portugueses desembarcarem no Brasil. Para eles, a finalidade da vida era viver. Existiam entre 1 e 8 milhões de tupis que desceram a Amazônia para o sul e subiram pelo litoral até retornar à Amazônia, andaram por todo o Brasil e conheceram a natureza em detalhe.

Os tupinambás, índios tupis que mais entraram em contato com os europeus, habitavam principalmente o litoral brasileiro, se dedicavam a arte da guerra e das festas. Acreditavam na vida após a morte e praticavam um ritual antropofágico. Para eles, haviam diversos espíritos que se manifestavam na natureza. Existiam espíritos para plantar, para colher e para caçar. A vida era como um sonho.

As aldeias tinham uma unidade social diversa, nelas haviam em torno de 8 malocas, em cada maloca moravam até 600 pessoas, como não existia nada fechado, os furtos não aconteciam. A liberdade sexual era grande, os casamentos poderiam ser desfeitos facilmente e a homo-sexualidade era normal. O homem era o guerreiro, se ocupava da caça, a mulher, do preparo do alimento e da tecelagem. Havia beleza e perfeição em tudo, porque cada coisa os retratava. A poesia, a dança, a música e o vinho faziam a ponte do convívio social.

Existia ética na guerra, o adversário era devorado fisicamente. O prisioneiro após ser apanhado, ganhava uma moça para lhe servir inclusive sexualmente. O dia de comer o inimigo, era o dia da grande festa, bebem e dançam durante todo o dia. À noite o executor diz ao prisioneiro: “quero matar-te porque muito de tua gente também matou e comeu meus amigos”, tem como resposta: “quando estiver morto terei ainda muitos amigos que saberão vingar-me”. Golpeado na nuca o corpo é cortado e assado, a mulher temporária do prisioneiro chora e o matador se isola durante algum tempo.

Em uma aldeia tupinambá existem roças e casas, mas ninguém é dono da terra. O que um sabe, todos podem saber, ninguém se apropria do conhecimento como poder político. O chefe representa a tradição, a cultura, mas não dá ordens a ninguém.

Dos índios herdamos técnicas de sobrevivência nos trópicos, o banho diário, a integração com a natureza, os rituais e o uso frutos.


2. Matriz Luza

Portugal era vanguarda, eram ousados e corajosos. Pela sua localização geografia havia a necessidade de ir ao mar para pescar e para navegar. O príncipe Dom Henrique, tecnólogo, começa a fazer invenções como a bussola e os navios de leme fixo, adventos que tornaram possível aos portugueses enfrentar o mar grosso.

No século 8 A.C. os fenícios invadiram a península levando o domínio da metalurgia, as primeiras formas de escrita e o conceito de cidade. Depois vieram os gregos e os cartagineses trazendo o comércio e a navegação. Quando os romanos chegaram em 218 A. C., introduziram o latim o que resultou na língua portuguesa. Depois chegaram os árabes que ensinaram os portugueses a fazer contas através dos algarismos arábicos.

O príncipe Dom Henrique era muito religioso, vivia com um manto sagrado envolvido em seus ombros, faziam festas para comemorar o futuro que simbolizava o Espírito Santo. Experimentavam e inovavam, tinham o principio de que era necessário se lançar à frente. O príncipe foi conhecer o mar com 15 embarcações e mesmo após a sua morte os portugueses continuavam a desbravar o mar e levavam suas descobertas de volta para seu país.

Os portugueses eram centralizadores do sagrado e do econômico, tinham uma imaginação sofisticada e uma rica criação mental, deles herdamos a idéia de povo-nação.


3. Matriz Afro

África, nação negra, nunca foi homogênea. Existiam diversas sociedades, línguas e culturas, fizeram quase tudo que aqui se fez. Conheciam a escravidão muito antes dos europeus chegarem ao seu território. Tinham propriedades: a terra, a água, os animais.

Conheciam a metalurgia e o ferro era sagrado. O sagrado estava sempre presente no mundo visível e no invisível. Cultuavam seus ancestrais e os mortos porque deles provinha o conhecimento. Acreditavam que toda a vida é sagrada e o homem é o centro.

No congo existiam 3 tipos de homem: os aristocratas, os homens livres e os escravos. A partir de um incesto o rei tornava-se o sem-família e assim passava a governar todas as outras famílias, se diferenciava das outras categorias de homens pelos seus ornamentos e pela dança.

Os africanos conheciam a arte da guerra. Os alças, vizinhos dos iorubanos foram envolvidos pelo islamismo, no Brasil chamavam-se malés. Praticavam cultos e se organizaram em seita poderosa. Os iorubanos, no Brasil chamados de nagôs, conheciam antes dos europeus a metalurgia, a economia monetária, a urbanização e possuíam estética sofisticada.

Os pilares de desenvolvimento das artes africanas eram as pessoas, a comunidade, a natureza, a criação e a tradição que ia além do real. Deixaram entre outros legados aos brasileiros: vigor e criatividade.


4. Encontros e desencontros

Nós somos uma cultura de retalhos, fusão de pessoas desencontradas, física e espiritualmente, mestiços na carne e no espírito, herdeiros de taras e talentos.

Quando chegaram os europeus, os índios os incorporaram à sua família, inclusive dando a eles uma moça a fim de conhecer suas ferramentas, os portugueses por sua vez, começaram a tirar árvores pau-brasil para levar à Portugal. O Brasil era uma aventura, todos transavam com todos e quem nascia dessa mistura já não era da mesma etnia do pai ou da mãe, era uma outra coisa.

As noticias da exuberância brasileira atiçaram a curiosidade dos piratas que também vieram aportar aqui. Vieram mais portugueses para defender o território e transformaram o Brasil em uma colônia produtiva, passando do escambo para a escravidão.

O colonial queria aliciar os índios como força de trabalho, o religioso queria criar com os índios uma Republica “pura”, fatos que resultaram em etnocídio, hecatombe. Os índios foram gastos pela escravização e pelas pestes européias, morreram milhares. Os negros eram mais fáceis de serem escravizados, pois estavam em uma terra estranha, os índios quando caiam no mato fugiam.

Nos navios negreiros, a cada 4, 5 negros, vinha também uma negrinha para o senhor branco, essas negrinhas geravam mulatos que nasciam falando português, esses já não eram africanos como suas mães e também não eram brancos, eles eram os “Zé ninguém” que foram se configurando em brasileiros.

Todo brasileiro traz na alma e no corpo traços negros e indígenas: a ternura, a mímica excessiva, a música, traz esses traços no andar, na fala e no canto de ninar. Somos um povo novo feito de povos milenares. O encontro dessas diferenças dá originalidade à gente brasileira.


5. Brasil Crioulo

Prospero moinho de gastar gente, foram mais de 6 milhões de negros despejados de Pernambuco à Bahia na civilização do açúcar. O senhor do engenho era a autoridade máxima da colônia em uma relação de dominação e intercruzamento inclusive sexual, relação de exploração de classe, mas também corporal e afetiva. A senzala era um pombal negreiro.

Com a abolição, os negros foram para as cidades, se tornaram marginais e criaram um mundo cultural paralelo. Fé e energia vieram na cabeça e no coração dos africanos. Criaram padrões rítmicos, instrumentos musicais e corpos elásticos, dominaram a cozinha, criaram o azeite de dendê e o preparo de vegetais.

Em seus dias de folga eles veneravam seus orixás, as forças naturais onde a terra é o palco dos deuses. Desde a Grécia não existia uma deusa do amor, os negros cariocas criaram Iemanjá, se vai até ela para pedir amor, para pedir que o marido seja menos violento, que a namorada seja mais carinhosa.

É preciso ser culturalmente forte para impor valores num processo de mestiçagem e isso os africanos foram. Oxossi, por exemplo, está mais vivo hoje no Brasil que na África. Vieram e transformam valores continuamente. Os crioulos criam, permanecem e se reinventam a cada momento

Levamos a marca da mão pesada que açoita, a doçura mais terna e a crueldade mais atroz, somos gente sofrida, insensível e brutal. Temos gosto e alegria de viver, não trabalhar para o brasileiro é a melhor forma de ser feliz.


6. Brasil Sertanejo

A característica mais marcante do Brasil sertanejo é o sertão. O povo que vive lá se adaptou ao ambiente hostil da caatinga, à sua alta temperatura, às escassas chuvas sem regularidade e ao solo pedregoso, impróprio para agricultura.

Os europeus trouxeram as vacas e como quebravam cercas e destruíam canaviais, o gado foi se afastando dos engenhos, assim, onde havia água fazia-se um rebanho e os currais se multiplicavam pelo nordeste. O Piauí foi o estado brasileiro onde se deu inicio a criação extensiva de gado.

O sertão tem beleza grandiosa e tradições são medievais. Existe uma quantidade enorme de cantadores, religiosos, o aceticismo está presente na sua cultura, assim como a busca da terra da promissão e o milenarismo judaico-cristão.

O cangaceiro é homem simples e ingênuo, tem muita vontade de viver, sua superstição é grande, ele enfrenta os coronéis através da violência e ostenta seu destemor nas suas vestimentas. A alegria sertaneja tornava o cangaço uma festa colorida.

Aos poucos, as dificuldades fizeram com que os sertanejos saíssem de sua terra para ser mão de obra nos centros urbanos. É deles a autoria do baião e da palavra “luar”, única no mundo. O sertão é uma reserva de coisas antigas onde tudo se renova, seu povo reflete as características dessa terra, antiga e retrograda.


7. Brasil Caipira

Outra área cultural característica do Brasil é a caipira, é ela também a que mais se transformou com o tempo. Morador da Paulistânia que compreende São Paulo, Minas Gerais, Goiás e em menor grau Espírito Santo e Rio de Janeiro. Seu povo, um dos tipos de homem rural brasileiro, proveio da mistura de portugueses e índios.

Povos que andavam Brasil adentro na misteriosa a aventura de encontrar ouro, prata e pedras preciosas. Com as descobertas desse percurso construíam igrejas como as de Ouro Preto que ostentam ouro na tintura e nos ornamentos.

Quando o ouro foi todo colhido a diáspora chega ao fim, os povos param de andar e começam a se estabelecer nos lugares, plantando para seu próprio consumo. Após a libertação dos escravos imigrantes europeus foram trazidos para trabalhar como assalariados nas plantações.

O caipira foi quem inventou o bairro, aquela porção de território onde todos têm pouco contato, mas todos se sentem parte da mesma comunidade. São com as pessoas do bairro se fazem as festas e se constroem casas em mutirão. O lazer fazia parte da cultura do caipira, nos finais de semana ele caçava e pescava, cultura índia, típica dieta do caipira.

Com o advento da indústria começaram a surgir novas formas de produção agrícola, a comunicação de massa começa a transformar os padrões de consumo e fazer destes padrões algo intangível para os caipiras. As instituições tradicionais começam a perder força, assim a escola não ensina mais, a igreja não doutrina e os partidos políticos não politizam. O tempo do caipira fica cada vez mais escasso e ele migra para às margens da cidade a ser também mão de obra.

Assim tornou-se folclore na cidade com sua música original que serve de inspiração para sua sobrevivência nos centros urbanos. O caipira sempre se configurou em uma cultura aberta que assimilou e devolveu novas maneiras de encarar a sociedade.


8. O Brasil Sulino

Os jesuítas espanhóis queriam fazer dos índios guaranis “o povo de deus”, começaram a reprimi-los através de confissões diárias e pela idéia de pecado. Suas cidades foram construídas em forma de cruz, no centro ficavam as igrejas. Os comeram não na carne, como nos rituais antropofágicos tupinambás, mas na alma, fizeram nos índios uma lavagem cerebral.

O povo sulino foi formado pela aculturação entre os índios guaranis, pelos açorianos trazidos e Portugal para defender o território, pelos paraguaios que vinham de Assunção, por diversos gringos que aportaram ali e formaram colônias de outras regiões européias no interior do sul e por paulistas mamelucos que marcharam rumo ao sul.

Os portugueses sempre tiveram a intenção de expandir as fronteiras o Brasil, mas o sul foi o território mais conturbado. Não existiam fronteiras determinadas, existiam brigas onde se encontravam portugueses e espanhóis.

O rebanho bovino levado pelos espanhóis se multiplicou pela região e fez do gaucho um povo do gado. O processo de miscigenação no Brasil sulino foi o mais lendo de todo o país, até hoje podem-se observar colônias alemãs ou italianas “puras”.

Uma nação é antes de tudo, um sentimento de pertencimento à uma cultura ou nacionalidade no campo afetivo ou no intelectual. O Brasil sulino se transformou em um laboratório de aculturação.


9. O Brasil Caboclo

No Amazonas se configurou a mistura de índios com brancos e de índios com negros. A exuberância e o mistério fizeram da Amazônia o reino dos mitos brasileiros, é Saci-Pererê, Boto, Curupira, Iara, Muiraquitá e diversas outras lendas.

Os europeus trouxeram consigo suas pestes como varíola, gripe e coqueluche e os índios não resistiram a essas doenças, morreram milhares, foram dizimados, mais de 2 milhões de índios mortos em 30 anos pelas pestes e pela dominação européia.

Se misturaram aos mestiços e continuaram a falar tupi por longa data, até que com uma política de Dom Pedro II o português foi imposto como língua oficial. O caboclo leva em sua essência uma tecnologia primitiva adaptativa.

Em 1880 a região amazônica entra em um novo contexto econômico mundial. Começa a cultura extrativista, importações e exportações, dá início a uma elite mais vinculada à Europa que ao Brasil e uma economia que somente drenava recursos.

A Amazônia foi industrializada, mas depois da 1ª Guerra Mundial houve êxodo da região, as construções e indústrias ficaram abandonadas até a construção da Rodovia Transnacional que facilitou a degradação da região.

Os povos que habitavam as florestas se configuraram após a industrialização nos povos mais pobres e marginais da cidade, quando não mendigos, pois perderam a habilidade de se manter na floresta e tem dificuldade de se integrar a vida da cidade.

A Amazônia é considerada por Darcy Ribeiro o “jardim da Terra”, com alguma conscientização, turismo organizado e formas alternativas de trabalho integrado à natureza como a piscicultura é possível dar um curso diferente à essa região.


10. Invenção do Brasil


Os brasileiros são uma humanidade tropical. Toda a aventura humana foi trilhada através de conquistas, seduções, paixões, conflitos e também por meio da paz. Os povos se interpenetraram pelo amor ou pela força. Nada preservou sua pureza original quando aqui chegou, somos um povo unificado, mesmo com tantas diferenças nos tornamos uma nação homogênea.

Dizem que somos cordiais e pacíficos, mas não se atentam aos diversos conflitos e guerras sangrentas que tivemos ao longo da nossa história. Mais de 100 mil caboclos foram trucidados em prol da unidade, os cabanos fizeram isso e Palmares se tornou símbolo do enfrentamento racial e de resistência, de tal modo que as rebeliões e as lutas fazem parte da nossa formação.

O que inventamos foi um povo e um país, reinventamos a língua portuguesa e continuamos e inventar a técnica genética e simbólica do Brasil.

Muita coisa deu certo outras não, temos problemas com instituições como as educacionais, de saúde, políticas. Temos problemas com regras impessoais. Por outro lado na nossa subjetividade pode-se traduzir na vitalidade iorubá filtrada por uma ternura lusitana com elementos e pensamento mágico do mundo indígena.

Temos sobretudo, a capacidade de sobrepor os males e sorrir. A utopia brasileira é apurar as formas de nossa convivência sem perder o fogo dos afetos. Segundo Darcy Ribeiro “viver não é preciso, mas sem sonhar não se vive”.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

A questão multicultural

As expressões “multicultural” e “multiculturalismo” vêm sendo usadas universalmente, porém sua disseminação não esclarece seu significado. Segundo o teórico cultural Stuart Hall, o termo qualificativo “multicultural” conceitua sociedades constituídas de diversas comunidades culturais onde cada grupo carrega em si um pouco de sua raiz; já o substantivo “multiculturalismo” diz respeito as políticas criadas para administrar e governar as sociedades multiculturais.

Todos sabem (...) que o multiculturalismo não é terra prometida... [Entretanto] mesmo na sua forma mais cínica e pragmática, há algo no multiculturalismo que vale a pena continuar buscando (...) precisamos encontrar formas de manifestar publicamente a importância da diversidade cultural, [e] de integrar as contribuições das pessoas de cor ao tecido da sociedade. (Wallace, 1994)

domingo, 23 de agosto de 2009

Arte: um pouco sobre o mercado

Existem muitos motivos que levam uma pessoa a adquirir uma obra de arte. Os investidores procuram algo que possa ser valorizado no futuro e que traga retorno financeiro; outros optam por adquirir algo que seja símbolo de status e existem aqueles que adquirem uma obra de arte simplesmente porque se afeiçoaram a obra.

Quem costuma transitar por estas vias são os artistas produtores de arte, os agentes distribuidores mais conhecidos como marchands, os consumidores privados (colecionadores, empresas com coleções de arte próprias, institutos culturais), os consumidores públicos (museus, centros culturais, órgãos públicos com coleções de arte ou ainda responsáveis por espaços públicos que encomendam obras de arte para dispô-las nesses locais) e as distribuidoras (galerias, casas de leilão, feiras de arte, ateliês).

O gosto do público brasileiro consumidor de arte vem mudando, ele passou a partir da década de 40 a se interessar mais pelos artistas nacionais que pelos internacionais. A partir dos anos 2000 as artes visuais, principalmente a fotografia, vêm se destacando pela influencia de anos de televisão, do cinema e agora o computador que aumenta a nossa informação e, por conseguinte a nossa compreensão das imagens. Os estilos que mais despertam interesse de compra segundo pesquisa da São Rafael Previdência variam entre o ingênuo, o acadêmico-impressionista, o moderno e a vanguarda.

Nos últimos anos, o mercado da arte andava bem financeiramente, mas a crise na economia mundial tem afetado também os negócios da arte. Feiras e leilões internacionais movimentaram em 2008, metade dos valores de 2007. O Brasil ainda não mensurou os resultados da crise, existem somente especulações sobre o comportamento cauteloso de consumidores e oportunidade para novos artistas, mais baratos que podem servir como investimento financeiro, assim como apostas em negócios como o da fotografia.

Muito se especula sobre artistas brasileiros fazendo carreira no exterior, segundo Ana Letícia Fialho no artigo “Mercado das artes: global e desigual”, a realidade não é exatamente esta. São poucos os artistas brasileiros com visibilidade e negócios fora do Brasil, cerca de vinte tem trabalhos em galerias internacionais. O que parece existir é uma estratégia para valorização de obras e artistas nacionais dentro do país, através da participação mesmo que ínfima, no mercado internacional de artes.

O centro nervoso de comercialização de arte no Brasil é a cidade de São Paulo, onde as galerias se transformaram nos últimos anos em reduto da arte visual contemporânea brasileira, entretanto o ambiente asséptico e os altos preços se instalaram na aura de grande parte das galerias, fato que afugenta público apreciador de arte. Em sua maioria, as galerias optam por artistas conhecidos e seguros, se recusam até mesmo a conhecer o trabalho de novos artistas, sem imaginar ou levar em consideração que essas preferências podem cansar os clientes que buscam trabalhos novos e mais acessíveis.

Hoje o comércio de arte se caracteriza por ser um mercado de autores, não de obra; por isso as qualidades inerentes e simbólicas dos artistas, com o tempo são reconhecidas e passam a agregar valor econômico ao que é produzido por ele, resta saber, quanto tempo leva esse processo e se o artista conseguirá desfrutar em vida do dinheiro gerado pela sua criação.

Foto: Márcio Ramos

sexta-feira, 19 de junho de 2009

A luz da Vaga Lume


A Associação Vaga Lume é uma entidade sem fins lucrativos do Terceiro Setor constituída na forma de OSCIP - Organização da Sociedade Civil de Interesse Público. Promove há oito anos a ampliação cultural e educacional nas zonas rurais da Amazônia Legal Brasileira e colabora com a troca de experiências entre essas populações e as demais regiões do país.

Para contribuir com a educação e a cultura das crianças da Amazônia, a Associação Vaga Lume implanta bibliotecas comunitárias nas zonas rurais da Amazônia Legal. Com o modelo de implantação que envolve estrutura-capacitação-gestão a comunidade passa a administrar e a cuidar das bibliotecas que passam a fazer parte de seu patrimônio e tornam-se fonte de conhecimento para a preservação ambiental.

Segundo estudo publicado em 2004 pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em parceria com outras entidades, existem no Brasil aproximadamente 300 mil organizações não governamentais atuantes nas mais diversas causas. Na Amazônia, estariam cerca de 100 mil dedicadas diretamente à causa ambiental e aos direitos indígenas. A Vaga Lume se diferencia, pois vai buscar na educação e na cultura, saídas para a preservação da floresta. A Vaga Lume acredita na Literatura como forma de transformação pessoal e social.

Através do Programa Expedição Vaga Lume, 127 bibliotecas foram implantadas até julho de 2008 em comunidades rurais nos Estados do Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. O objetivo é promover o acesso ao livro e a leitura e gerar organização comunitária fazendo da biblioteca um bem coletivo mantido e zelado pela comunidade com suporte da Vaga Lume.

Até 2007, sete instituições de São Paulo e 49 escolas em 6 municípios da Amazônia participaram da Rede dos Vaga-Lumes. A ação promove desde 2005 intercâmbio cultural entre as crianças da Amazônia e as crianças da Grande São Paulo a fim de gerar de forma lúdica a percepção da complexa realidade brasileira. Neste programa, semelhanças e diferenças são descobertas pelas crianças através da troca cultural que fortalecem as identidades, geram admiração pelas diferenças e autoconhecimento.

A Associação Vaga Lume através de seus programas, apoio de seus patrocinadores e parcerias com Secretarias de Educação e organizações de bases comunitárias, auxilia o desenvolvimento e preservação da maior floresta tropical do mundo. Investe no patrimônio humano com intercâmbios culturais e fortalece com educação e cultura as regiões remotas da Amazônia brasileira.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

A saga de conseguir um emprego na cultura em tempos de crise

Não que em outros tempos tivesse sido muito fácil, mas a situação agora é outra, os tempos são de crise na economia mundial, os tempos de reforma na principal Lei de Incentivo à Cultura e chegou o meu tempo profissional, mas ele está frio, gelado eu diria. A pergunta é: onde estão as oportunidades? (sem prostituição profissional, procuro oportunidades decentes e remuneradas)

Apesar de trabalhar com cultura a pelo menos 6 anos, sou uma profissional em início de carreira, prestes a completar 25 anos, o que mais fiz foram bons estágios, mas tenho uma experiência profissional relativamente longa em comunicação cultural em uma grande casa de espetáculos musicais. As experiências me renderam um bom currículo, mas não a garantia de um bom salário ou de pelo menos chances interessantes em tempos de crise.

Para continuar na área falo com amigos, faço pesquisas, envio e-mails todos os dias, faço pós-graduação e inglês, cumpro jornada à procura de empregos, checo TODOS os sites de emprego da internet, escrevo projetos, leio sobre cultura, escrevo nesse blog e mais perguntas vem à minha mente: poderei pagar um aluguel trabalhando com cultura?

Freelas são sempre bem vindo, mas o que me interessa é a CLT, eu gosto dessa Lei.

Meus interesses estão para as artes porque os meus princípios e ideais estão conectados com o desenvolvimento humano através da cultura. É bonito né? Eu não me canso, continuo e acredito que a cultura estará para mim, assim como eu estou para ela.